Agradecimento e Poemas
publicado em Geral a 20 de Dezembro de 2009
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Recebi há dias uma mensagem vinda da Escola EB2,3 de Avelar, onde estive no dia 25 de Novembro, que me lisonjeou e que não posso deixar de agradecer com uma marca aqui pública. Juntamente com essa carta veio uma colectânea de poemas dos alunos, criados no âmbito de um exercício de escrita criativa a partir de excertos dos meus livros. E aqui os apresento:

Carta Misteriosa

Estava a limpar o pó.

Em toda a mobília.

Encontrei uma carta misteriosa.

Mas era do rei, não a li.

Um mês depois desapareceu.

Onde é que ela se meteu?

Não sei se a roubaram.

Só sei que desapareceu.

Rodrigo Veríssimo

olhar perspicaz

olhar perspicaz

para o fogo

a alta sociedade

é de repente

roupas escuras

ele olhou

à sua volta

a sua preocupação

vai muito longe

de um mês

a dois.

Micael Neves

Do alto da torre

Do alto da torre

observava todo o cenário que a rodeava.

Ali estava ela infantilmente amuada.

Sentia-se (e estava) momentaneamente sozinha,

a correr riscos que nos primeiros tempos não corria.

Agora estava ali, em cima de um labirinto de corredores

onde era tão difícil entrar como sair.

O crepúsculo começou

e a sua roupa escureceu com o agravamento das preocupações.

As noites eram preenchidas pelo sonho, fazendo os olhos lacrimejar

até se soltarem pequenas lágrimas

que iam dar ao mágico e profundo

lago das preocupações e dos sentimentos

que assombravam aquelas terras

como nuvens que nunca partem.

Uma ferida não cicatrizada (na vertical)

Uma

manhã que

acabou sem um

final feliz,

e tudo porque, sem

razão, alguém decidiu fazer

(in)justiça pelas próprias mãos.

De madrugada veio frio,

a murmurar que o calor da felicidade

não viria

a regressar.

O sol ia alto quando, de

cada um, as lágrimas

imbecilmente caíram e

correram

até se perderem nas

terras encantadas e amaldiçoadas, sem

rumo, carregando às costas a

injustiça que se cometeu.

Zangadas, sem ter

a culpa

de todas as tragédias que

ali se cometeram.

Catarina Duarte

Era uma vez

Era uma vez,

Se calhar não vou começar assim

Pois isto é um poema

E não uma história.

Pertuscus ignora

Tudo incluindo a casa onde vivia

Porque era tão velha

Como um trapo do mendigo.

Pertuscus era um homem

Cheio de reflexos

Que queria ir buscar a rainha

À torre mais alta do castelo abandonado.

E a rainha bem preocupada,

À espera naquele castelo,

A solução mais sensata

Era esperar.

Pertuscus em viagem com o mapa

Da zona

O que não sabia bem

É que era feio.

No castelo já

Teve de atravessar

Um labirinto de paredes

Até ao corredor

O corredor do medo.

Era um grande desafio,

Mas Pertuscus

Era muito esperto.

Pertuscus chega à última

Porta do corredor, e ao abri-la a rainha diz:

-Ó homem, és tão feio como carvão

Vais ser comido pelo meu dragão.

Luís Miguel

Foi uma vez

Foi uma vez

A morte do

Legendário

Escovas de tanque

Com calmantes na

Igreja quando

Quando pedia à comissão

O padre chorava

De desgosto porque

O dinheiro estava a cair

Mas ele apanhou-as

A voar aparando a veste

De seda que é preta

Rasa e áspera

Um sol uma estrela que

Grande confusão

Alçapão vazio,

Tecto distraído e é

Assim apenas isto!!!!

Francisco Medeiros

Ninguém esperava ver

Ninguém esperava ver

As primeiras lágrimas daquela

Rapariga tão alta e nova.

Largavam as velas apagadas,

Nas horas de sol

Largavam as queixas

Da visão das fugas

Nos labirintos dos corredores

Do piso mais alto.

Forte o amor

As palavras que dizemos dos

Livros da biblioteca

Encostadas nas estantes

Continuamos a estudar.

Interpretar os sons que

Demos e nós

Ouvimos.

Durante a noite

Escrevemos.

Mandamos cartas de

Alegria do nosso coração

Descrevemos e

Rescrevemos todos

Os textos que lemos e não

Gostamos.

Adoramos as coisas que nos

Dão o que merecemos e

Amamos quem nos ama.

Liliana Marques

Obrigada pela carta!

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