Recebi há dias uma mensagem vinda da Escola EB2,3 de Avelar, onde estive no dia 25 de Novembro, que me lisonjeou e que não posso deixar de agradecer com uma marca aqui pública. Juntamente com essa carta veio uma colectânea de poemas dos alunos, criados no âmbito de um exercício de escrita criativa a partir de excertos dos meus livros. E aqui os apresento:
Estava a limpar o pó.
Em toda a mobília.
Encontrei uma carta misteriosa.
Mas era do rei, não a li.
Um mês depois desapareceu.
Onde é que ela se meteu?
Não sei se a roubaram.
Só sei que desapareceu.
Rodrigo Veríssimo
olhar perspicaz
para o fogo
a alta sociedade
é de repente
roupas escuras
ele olhou
à sua volta
a sua preocupação
vai muito longe
de um mês
a dois.
Micael Neves
Do alto da torre
observava todo o cenário que a rodeava.
Ali estava ela infantilmente amuada.
Sentia-se (e estava) momentaneamente sozinha,
a correr riscos que nos primeiros tempos não corria.
Agora estava ali, em cima de um labirinto de corredores
onde era tão difícil entrar como sair.
O crepúsculo começou
e a sua roupa escureceu com o agravamento das preocupações.
As noites eram preenchidas pelo sonho, fazendo os olhos lacrimejar
até se soltarem pequenas lágrimas
que iam dar ao mágico e profundo
lago das preocupações e dos sentimentos
que assombravam aquelas terras
como nuvens que nunca partem.
Uma
manhã que
acabou sem um
final feliz,
e tudo porque, sem
razão, alguém decidiu fazer
(in)justiça pelas próprias mãos.
De madrugada veio frio,
a murmurar que o calor da felicidade
não viria
a regressar.
O sol ia alto quando, de
cada um, as lágrimas
imbecilmente caíram e
correram
até se perderem nas
terras encantadas e amaldiçoadas, sem
rumo, carregando às costas a
injustiça que se cometeu.
Zangadas, sem ter
a culpa
de todas as tragédias que
ali se cometeram.
Catarina Duarte
Era uma vez,
Se calhar não vou começar assim
Pois isto é um poema
E não uma história.
Pertuscus ignora
Tudo incluindo a casa onde vivia
Porque era tão velha
Como um trapo do mendigo.
Pertuscus era um homem
Cheio de reflexos
Que queria ir buscar a rainha
À torre mais alta do castelo abandonado.
E a rainha bem preocupada,
À espera naquele castelo,
A solução mais sensata
Era esperar.
Pertuscus em viagem com o mapa
Da zona
O que não sabia bem
É que era feio.
No castelo já
Teve de atravessar
Um labirinto de paredes
Até ao corredor
O corredor do medo.
Era um grande desafio,
Mas Pertuscus
Era muito esperto.
Pertuscus chega à última
Porta do corredor, e ao abri-la a rainha diz:
-Ó homem, és tão feio como carvão
Vais ser comido pelo meu dragão.
Luís Miguel
Foi uma vez
A morte do
Legendário
Escovas de tanque
Com calmantes na
Igreja quando
Quando pedia à comissão
O padre chorava
De desgosto porque
O dinheiro estava a cair
Mas ele apanhou-as
A voar aparando a veste
De seda que é preta
Rasa e áspera
Um sol uma estrela que
Grande confusão
Alçapão vazio,
Tecto distraído e é
Assim apenas isto!!!!
Francisco Medeiros
Ninguém esperava ver
As primeiras lágrimas daquela
Rapariga tão alta e nova.
Largavam as velas apagadas,
Nas horas de sol
Largavam as queixas
Da visão das fugas
Nos labirintos dos corredores
Do piso mais alto.
As palavras que dizemos dos
Livros da biblioteca
Encostadas nas estantes
Continuamos a estudar.
Interpretar os sons que
Demos e nós
Ouvimos.
Durante a noite
Escrevemos.
Mandamos cartas de
Alegria do nosso coração
Descrevemos e
Rescrevemos todos
Os textos que lemos e não
Gostamos.
Adoramos as coisas que nos
Dão o que merecemos e
Amamos quem nos ama.
Liliana Marques
Obrigada pela carta!
Sem comentários.